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segunda-feira, dezembro 17, 2012

Interioridade vs Igualdade








Portugal é um país que se diz republicano e democrático.

Isto por si só pressupõe a vivência numa sociedade que busca a liberdade, a igualdade, a solidariedade entre membros dela.

Muitas são as questões que põem em causa estes valores, e a busca deles, são exemplo o flagelo do desemprego, a pobreza, a desigualdade social e económica, a insegurança, a crise económica etc.
Outra grande questão é a interioridade, pois nela pode-se interligar todos estes problemas.
Esta questão é sentida de forma acentuada ao longo de toda a vivência de qualquer cidadão do interior.
Começa logo no acto de nascer, ou mesmo antes quando os pais não tiveram acesso a educação sexual e muitas vezes os métodos contraceptivos estão a dezenas de quilómetros de distância, durante a infância, adolescência, juventude, terão todos os serviços de educação, saúde, justiça e outros, apenas a dezenas e muitas vezes a centenas de quilómetros.
Como é possível uma criança do interior aceder á mesma quantidade/qualidade de informação, cultura que uma do litoral?
Um jovem que consiga resistir a todos as dificuldades até ao fim do secundário terá, se o seu agrado familiar assim o poder, de escolher um curso superior, mas as opções serão ainda mais distantes, numa cidade distante, com encargos muitas vezes insuportáveis para as famílias do interior.
Assim se conseguir acabar esse curso, terá de procurar trabalho, e logo se deparará com a certeza de que na sua terra nunca o conseguirá. Assim terá de trabalhar no litoral, ou então emigrar.
Em consequência o interior perde população, fica quase só com população envelhecida, e dessa forma acentua os problemas já existentes.
É um ciclo vicioso em que a perca de população leva á perca de serviços, e a perca dos serviços leva ao abandono por parte da população jovem.
Para combater este ciclo, é preciso politicas de incentivo á permanência de jovens no interior assim como de incentivo á população do litoral a regressar.
Essas politicas têm de passar por criar condições no interior que permitam ás populações terem o mesmo nível de acesso aos serviços públicos que a restante população do litoral.
Logo tem que se criar boas vias de comunicação, vias que não só sirvam para ligar do interior ao litoral mas que também liguem o interior entre si, ou seja precisa-se de vias de comunicação perpendiculares ás auto-estrados que ligam o norte ao sul.
É preciso inverter a tendência de encerramento de escolas, tribunais, centros de saúde, hospitais, no interior, e passar a melhor a qualidade desses serviços. É preciso incentivar as empresas a investir nas mais-valias do interior para desta forma dinamizar a economia local e assim criar emprego e com este emprego trazer gentes que hoje se encontram nas cidades do litoral, numa densidade populacional tal que cria graves problemas sociais.
Assim com o ataque ao problema da interioridade pode-se resolver muitos outros deste país.
Deixa-se por fim um caso exemplar e duas questões:
- Como é possível ter-se todas as centrais de biomassa no litoral, quando a maioria das áreas florestais passíveis de se extrair biomassa esteja no interior?
- Será que há igualdade entre concidadãos que vivem no litoral e os que vivem no interior?
-Será que é um azar nascer no interior do país?

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Interioridade vs Igualdade


Portugal é um país que se diz republicano e democrático.
Isto por si só pressupõe a vivência numa sociedade que busca a liberdade, a igualdade, a solidariedade entre membros dela. 
Muitas são as questões que põem em causa estes valores, e a busca deles, são exemplo o flagelo do desemprego, a pobreza, a desigualdade social e económica, a insegurança, a crise económica etc. 
Outra grande questão é a interioridade, pois nela pode-se interligar todos estes problemas. 
Esta questão é sentida de forma acentuada ao longo de toda a vivência de qualquer cidadão do interior.
Começa logo no acto de nascer, ou mesmo antes quando os pais não tiveram acesso a educação sexual e muitas vezes os métodos contraceptivos estão a dezenas de quilómetros de distância, durante a infância, adolescência, juventude, terão todos os serviços de educação, saúde, justiça e outros, apenas a dezenas e muitas vezes a centenas de quilómetros.
Como é possível uma criança do interior aceder á mesma quantidade/qualidade de informação, cultura que uma do litoral? 
Um jovem que consiga resistir a todos as dificuldades até ao fim do secundário terá, se o seu agrado familiar assim o poder, de escolher um curso superior, mas as opções serão ainda mais distantes, numa cidade distante, com encargos muitas vezes insuportáveis para as famílias do interior. 
Assim se conseguir acabar esse curso, terá de procurar trabalho, e logo se deparará com a certeza de que na sua terra nunca o conseguirá. Assim terá de trabalhar no litoral, ou então emigrar.
Em consequência o interior perde população, fica quase só com população envelhecida, e dessa forma acentua os problemas já existentes.
É um ciclo vicioso em que a perca de população leva á perca de serviços, e a perca dos serviços leva ao abandono por parte da população jovem.
Para combater este ciclo, é preciso politicas de incentivo á permanência de jovens no interior assim como de incentivo á população do litoral a regressar.
Essas politicas têm de passar por criar condições no interior que permitam ás populações terem o mesmo nível de acesso aos serviços públicos que a restante população do litoral. 
Logo tem que se criar boas vias de comunicação, vias que não só sirvam para ligar do interior ao litoral mas que também liguem o interior entre si, ou seja precisa-se de vias de comunicação perpendiculares ás auto-estrados que ligam o norte ao sul.
É preciso inverter a tendência de encerramento de escolas, tribunais, centros de saúde, hospitais, no interior, e passar a melhor a qualidade desses serviços. É preciso incentivar as empresas a investir nas mais-valias do interior para desta forma dinamizar a economia local e assim criar emprego e com este emprego trazer gentes que hoje se encontram nas cidades do litoral, numa densidade populacional tal que cria graves problemas sociais.
Assim com o ataque ao problema da interioridade pode-se resolver muitos outros deste país.
Deixa-se por fim um caso exemplar e duas questões: 
- Como é possível ter-se todas as centrais de biomassa no litoral, quando a maioria das áreas florestais passíveis de se extrair biomassa esteja no interior?
- Será que há igualdade entre concidadãos que vivem no litoral e os que vivem no interior? 
-Será que é um azar nascer no interior do país?





Pedro Figueiredo



in: http://sempedradas.blogspot.com/

quarta-feira, setembro 24, 2008

O preço de se ter nascido no interior profundo.

Nascer e crescer no interior, a 30 km’s da vila mais próxima, a 50 de uma cidade, a 70 da sede de distrito, Vitoreira, vai ter consequências para o resto da vida.
Mesmo antes de nascer as mães grávidas têm de se deslocar mais de 30 km’s para ter consulta médica, e depois 70 km’s para fazer o parto numa maternidade. Nasce o bebé, e mais dezenas de quilómetros para se fazer o devido acompanhamento do recém-nascido e sua mãe. Chega-se a idade da criança ir para o infantário e os pais desta começam então por optar, ou esta fica em casa ou para ter os benefícios das outras crianças têm de se deslocar 3 ou 4 km’s, no presente com transporte escolar mas ainda a menos de 3 teriam de ir a pé. Aos 5, 6 anos chega a altura de ingressar na escola primária, por enquanto a 3 km’s em breve a mais de 10, e lá terá de ir a criança ( ainda a poucos anos a pé), terá de se levantar 7h, quer esteja sol, chuva, tempestade, noite ou dia, esta criança irá fazer enormes sacrifícios apenas para ter o direito á educação. Apesar disto consegue ter sucesso e transita todos os anos e chega ao fim do 4º ano. Já com 8/9 anos chega a primeira separação da família e da sua terra, a criança terá de ir para a sede do concelho, Castro Daire, para o 5º ano. A criança com timidez, com angústia, ansiosa mas com coragem, e incapaz de desistir vai e enfrenta mais esta etapa. Mais uma vez vai levantar-se as 6h e pouco, faz 2 km’s a pé para apanhar o autocarro, faz mais uma hora no autocarro as 8h 20 começa as aulas. Passa o dia longe de casa e da família. Ás 17h 30 sai, apanha o autocarro, muitas vezes a cair de podre, mais uma hora de caminho, mais 2 km’s a pé, chega então a casa, são 19h, com chuva, frio, muitos dos dias já de noite, ou se de dia vai ajudar os pais na agricultura. Passa 5 anos assim, com sucesso termina o 9º ano. Agora já adolescente, vai ter tomar uma opção, ou fica por aqui, ou com ambição natural de quem já sabe o custa a vida segue os estudos.
Agora ou opta por ficar pelo 9º ano, e o futuro será trabalhar as terras ou pastorear umas cabras, ou tenta continuar os estudos, continuar o sacrifício para poder estudar.
A Lila escolheu estudar, tentar lutar, queria “tirar” o 12º ano e o curso de restauração e hotelaria. Tentou.
O curso mais próximo é na escola profissional de Carvalhais, São Pedro do Sul. A Lila cria. Cria lutar.
A mãe aluga um táxi, pois não há transportes públicos, e faz os 45 km’s e matricula a Lila. Chega o 1º dia de aulas, a Lila tem de ir viver fora de casa, em regime de internato, a mãe aluga de novo o táxi, carrega as malas, e ai vai a Lila. Depois de 1h 30 de caminho, descarrega as malas, despedidas, ai está a Lila sozinha a 45 km’s de casa, da família, da sua terra, do seu mundo, mas instala-se.
Chegada a casa, a mãe, toca o telemóvel, Lila é o nome que aparece no visor, a Lila desistiu, quer que a vão buscar.
__Aguenta, habituaste __ diz a mãe
__ Já estou farta disto mãe.
Passado 2 dias estava o táxi a chegar a Vitoreira, a Lila voltou.
Esta é a consequência de se nascer e viver no interior profundo.
Há duas opções: sair de casa, estar longe da família, fora do seu mundo e lutar por um futuro melhor ou ficar junto da família, na sua terra, no seu mundo.
A Lila optou pela família, pelos seus amigos pelos seu mundo.