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quarta-feira, outubro 15, 2014

Isabel deixou os seus alunos - Noticia Castro Daire

Isabel deixou os seus alunos para ser colocada numa escola em que não tinha aulas para dar

Descobrir que tinha ficado colocada a 90 quilómetros, em Oliveira de Azeméis, foi um choque — por tudo o que isso implica.
Isabel Pinto foi colocada a 90 quilómetros de casa e não tem turma ADRIANO MIRANDA

Isabel Pinho teve de abandonar o agrupamento de escolas onde dava aulas há dez anos por não ter crianças que afinal existem e estão desde o início do ano sem professor titular. São 17 alunos que ainda esperam “a sua” professora, que o Ministério da Educação colocou a 90 quilómetros de casa, numa outra escola, que nunca tinha pedido uma docente do 1.º ciclo e não tinha turma para ela.
No Verão, Isabel ficou a saber que fazia parte dos docentes com ausência de componente lectiva ou, dito de forma mais simples, com horário-zero, sem turma. Acontece aos professores do quadro quando, devido à conjugação de muitos factores (como a quebra de natalidade, a emigração, as alterações curriculares ou a criação dos mega-agrupamentos) deixam de ter alunos a quem dar aulas. Neste caso, a causa próxima foi, mesmo, o possível encerramento da Escola Básica de 1.º ciclo de Reriz, do agrupamento de escolas de Castro Daire, onde já só ela dava aulas a uma turma única, que tinha crianças dos quatro anos de escolaridade.
Em Agosto, enquanto os pais de crianças daquela e de outras escolas do país protestavam contra o encerramento dos estabelecimentos do 1.º ciclo, a direcção do agrupamento indicou a Isabel que, “até ver”, tinha de entrar no concurso de mobilidade interna, para ser transferida para uma escola em que pudesse dar aulas. Ela assim fez. E, tal como ela, milhares de docentes. Ainda assim, nunca esteve plenamente convencida de que era uma inevitabilidade: "As crianças existiam, o encerramento da escola não fazia sentido, sempre acreditei que tudo se resolveria", diz, agora. Não imaginava que o processo de colocações seria tão conturbado.
O Conselho de Escolas, num documento, aprovado há uma semana, identifica, passo a passo, os actos e as omissões que terão dado origem aos problemas, sem poupar críticas. Luís Ferreira, director do agrupamento de Castro Daire, onde Isabel dá aulas, resume o caso assim: “Foi uma coisa nunca vista”.
Este ano, diz o director, “tudo se atrasou e no início de Setembro ainda o MEC estava a aprovar turmas, mas a plataforma electrónica que noutros anos permitia retirar do concurso os professores que entretanto tinham arranjado turma já estava encerrada e não foi reaberta”, conta.
A forma invulgar como, na noite de 4 de Setembro, os directores foram chamados a “salvar” os seus professores dos horários-zero não foi exclusiva de Castro Daire. No Norte, os directores das escolas receberam mensagens de telemóvel e e-mails dando-lhes duas horas para enviarem uma mensagem electrónica com os nomes. No Centro, os contactos foram feitos através de telefonemas e noutras zonas do país, a chamada nunca chegou.
Luís Ferreira sabe com precisão a que horas tocou o telemóvel. “Eram 23h35 e disseram-me que até à meia-noite tinha de mandar os nomes”, conta. Não mandou o de Isabel, mas não foi por falta de tempo. “Expliquei à pessoa que me ligou, da representação regional da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, que estava convicto de que a turma a que ela dava aulas estava prestes a ser validada. A resposta foi que nem pensasse nisso, que só podia retirar do concurso as pessoas para as quais tinha certeza absoluta de ter turma. E isso eu não tinha”. No dia seguinte, no entanto, precisamente "às 11h57", o MEC informou, através de uma outra plataforma informática, que a turma da EB1 de Reriz sempre estava aprovada.
“Nem duas horas depois”, Luís Ferreira enviou o e-mail para o endereço que lhe haviam dado na véspera, explicando a situação e pedindo para retirarem Isabel Pinho do concurso. Tarde de mais, como descobriram o director e a professora quando as listas de colocação saíram, no dia 9 de Setembro, a três dias do início do prazo para as aulas começarem.
“Descobrir que tinha ficado colocada a 90 quilómetros, em Oliveira de Azeméis, foi um choque – por tudo o que isso implica em termos familiares, já que o meu marido também dá aulas longe e temos filhos de 12 e 14 anos. Mas também por saber que estava a ser deslocada quando os meus alunos, dos quais seis têm este ano exame, estavam sem professor”, conta Isabel. O choque maior estava, no entanto, para vir. Quando ligou para a escola em que ficara colocada, a reacção foi de espanto: não tinham pedido qualquer professor do 1.º ciclo. Devia apresentar-se, mas ali, sim, estaria com horário-zero.
Isto foi há mais de um mês. Isabel Pinho, entretanto, reorganizou a sua vida. Para minimizar o aumento das despesas procurou pessoas que dão aulas em Oliveira de Azeméis. São cinco e cada uma leva o automóvel uma vez por semana. Encontram-se em Tondela, à ida, e quem leva o carro a partir dali faz a ronda pelas escolas a deixar as colegas. No regresso a casa fazem o mesmo, mas ao contrário. No novo agrupamento, arranjaram-lhe funções: está numa escola básica, a dar apoio a alunos com dificuldades.
O director do agrupamento de escolas de Castro Daire não desistiu de telefonar e de enviar mensagens para o ministério pedindo que Isabel Pinho regresse à escola e ainda não pediu substituto. Com a concordância dos pais das crianças, colocou no seu lugar uma professora que aguardava a reforma e que só esteve na sala de aulas cinco dias. Seguiu-se-lhe uma professora destacada em Castro Daire por doença, que não pode ser titular da turma, mas aceitou deslocar-se a Reriz todos os dias até o problema se resolver.
Luís Ferreira quer "acreditar que Isabel Pinho ainda regressa ao lugar que é seu” e desespera por que o MEC “ao menos diga se sim ou não” para, se for caso disso, pedir um substituto. Isabel conta que é isso que diz aos pais dos alunos, que lhe telefonam “regularmente, para saber como estão as coisas”, que “espera voltar”. “Mas já nem sei se acredito: a cada dia que passa é mais difícil ter esperança de que isto se resolva”, diz. 
Este será um caso extremo, mas não único, de problemas na colocação de professores dos quadros. O Conselho de Escolas e a Federação Nacional de Professores têm denunciado situações de docentes que foram retirados do concurso por terem (alegadamente) componente lectiva, o que depois não se confirma, pelo que continuam com horário zero; e outros em que o pedido de retirada do concurso não foi atendido, apesar de as escolas terem componente lectiva para lhes atribuir. 

terça-feira, julho 26, 2011

Castro Daire: Autarca vai lutar por manter escola de Mamouros aberta se houver onze alunos

22 de Julho de 2011, 13:47


O presidente da Câmara de Castro Daire, Fernando Carneiro, assegurou hoje que vai lutar por manter a escola de Mamouros aberta, caso se confirmem as matrículas de onze alunos.

A garantia foi dada pelo autarca durante uma manifestação à porta do edifício da Câmara, em que participaram pais, avós e alunos, que transportavam cartazes com inscrições como “quero a minha escola” e “somos crianças, mas temos direitos”.

Poucos minutos após a chegada do grupo de cerca de meia centena de pessoas, acompanhadas de um dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), Fernando Carneiro deslocou-se à rua, avisando logo não gostar do “aparato” que estava a ver.

“Era escusado este aparato, a escola não fecha nem abre por causa deste aparato”, criticou, considerando que na base da manifestação estavam motivações políticas.

Perante a reação negativa dos manifestantes, Fernando Carneiro lembrou que, numa reunião há algumas semanas, se comprometeram a fazer-lhe chegar comprovativos das matrículas das onze crianças na escola de Mamouros, ao invés das sete que tinham motivado o encerramento da escola.

“A escola com sete alunos não funciona, com onze funciona. Mas não andem é atrás de certas pessoas, que andam errados”, disse-lhes o presidente, regressando pouco depois ao interior do edifício.

Com os comprovativos das matrículas na mão, a presidente da associação de pais, Elisabete Menezes, também entrou no edifício para os entregar ao presidente, mas saiu logo de seguida a queixar-se de ter sido expulsa.

Elisabete Menezes disse não estar nesta luta motivada por questões políticas, mas apenas por querer o melhor para as crianças.

Outra mãe, Isabel Martins, lamentou a atitude do autarca: “viemos aqui com boa fé zelar pelos nossos interesses, porque temos filhos na escola, e o presidente foi mal-educado”.

A escola de Mamouros está a funcionar com uma autorização excecional desde 2008, altura em que foi formalmente encerrada.

Se o encerramento se concretizar, os onze alunos serão transferidos para uma escola a quatro quilómetros, nas Termas do Carvalhal (na mesma freguesia), que os pais alegam não ter condições.

“Tem um café logo ao lado, não tem recreio, não tem espaço e, apesar de ter duas salas, já lá andam muitas crianças”, contou Elisabete Menezes.

Por outro lado, a transferência das crianças “vai aumentar as despesas dos pais” e levar a aldeia a “perder vida”, acrescentou.

Aos jornalistas, o autarca justificou não ter recebido os pais por estes terem marcado uma reunião com o vereador da Educação e consigo, caso tivesse disponibilidade, e terem aparecido em manifestação.

Apesar disso, garantiu que se vai empenhar em resolver o problema.
“Se eles comprovarem que têm onze matrículas, eu farei todas as diligências dentro da DREC (Direcção regional de Educação do Centro) para que seja lá posto um professor”, frisou, considerando que “não há nada definitivo”.
@Lusa

in:http://noticias.sapo.pt/infolocal/artigo/1170262.html

Há quem diga por ai! 181

“Era escusado este aparato, a escola não fecha nem abre por causa deste aparato” , Fernando Carneiro, presidente da Câmara de castro Daire

quarta-feira, julho 13, 2011

Mamouros não quer deixar fechar escola e foi protestar à DREC

««Cerca de meia centena de encarregados de educação de Mamouros, em Castro Daire, manifestaram-se esta segunda-feira (11) junto à Direção Regional de Educação do Centro (DREC), em Coimbra, contra o encerramento da escola do primeiro ciclo desta aldeia.
Uma delegação de pais de Mamouros foi recebida na DREC pela diretora de serviço, Fátima Crisóstomo que, segundo Elisabete Menezes, que liderou o protesto, “apenas prometeu analisar a situação”.
O que João Bernardo, assessor da direção da DREC, confirmou à Lusa, esclarecendo que a promessa de analisar a situação foi feita, sem que daí se possa entender mais que isso.

Mas João Bernardo sublinhou que esta escola está a funcionar com uma autorização excepcional desde 2008, altura em que foi formalmente encerrada.
Em causa estão 11 alunos que, se o encerramento for finalmente concretizado, são transferidos para uma escola a quatro quilómetros de distância, nas Termas do Carvalhal, também em Castro Daire, distrito de Viseu.««

in:http://www.asbeiras.pt/2011/07/mamouros-nao-quer-deixar-fechar-escola-e-foi-protestar-a-drec/

domingo, julho 03, 2011

Ministro suspende fecho de escolas do primeiro ciclo

»O ministro da Educação decidiu suspender o encerramento de 654 escolas do primeiro ciclo do ensino básico com menos de 21 alunos previsto para este mês. O ministério tutelado por Nuno Crato pretende reavaliar o este processo, iniciado pelo anterior Governo no âmbito do plano de reorganização da rede escolar.»
in:http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/ministro-suspende-fecho-de-escolas-do-primeiro-ciclo_1501238#

segunda-feira, agosto 23, 2010

Encerrram apenas (????) 4 escolas em Castro Daire

Depois do anunciado “vendaval” nas escolas do concelho afinal encerram apenas 4 escolas. Encerram as escolas de Ester, Moledo, Vila Boa e Folgosa. Apesar de achar que não deveriam encerrar nenhuma escola, foi o menos mal.

Permanecem em funcionamento as escolas de Parada de Ester e Cabril. Falta saber por quanto tempo.

Espera-se que assim se mantenha, ou não sendo possível as duas, se consiga manter uma escola para as duas freguesias. Nesse cenário, deve haver negociação, de forma a que as rivalidades entre freguesias impeçam o bem das crianças das duas freguesias. È sabido que em Parada de Ester as actuais instalações da escola primaria não servem de forma razoável a educação das crianças que a frequentam.

Cabril não poderá aceitar que apenas se lembrem dos 34 km’s de distância para a sede do concelho para que em Castro Daire (vila) defendam para si as mordomias que á população de Cabril não lhe disponibilizam.

ver aqui as escolas a encerrar:  http://www.drec.min-edu.pt/repositorio/Lista_Escolas_Encerrar_DREC10_11.pdf

quarta-feira, junho 30, 2010

Câmaras vão controlar o fecho de escolas

«« "A ministra da Educação, Isabel Alçada, e o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas, assinaram ontem, terça-feira, o protocolo-chapéu que servirá de modelo para a reorganização da rede escolar do 1º ciclo.
“Estão criadas as condições para que os municípios possam defender os seus interesses”, afirmou ao JN o vice-presidente da ANMP, António Ganhão.
O secretário de Estado da Educação, João da Mata, “acabou por aceitar” as reivindicações da Associação, alega o responsável da ANMP - ou seja, o encerramento das escolas é decretado se houver “respeito pelas cartas educativas; mediante parecer favorável do município; financiamento da rede de transportes escolares; e desde que as escolas de acolhimento, tenham melhores condições”.

O fecho de escolas, com menos de 21 alunos, tem suscitado protestos de autarcas, professores e pais, o acordo permite aos autarcas contestar o fecho, mas desde que fundamentem essa discordância com determinadas “situações de impossibilidade”: “inexistência de salas de aulas e espaços para refeições nas escolas de acolhimento” e se a deslocação for superior a “um tempo adequado” (que não está definido no texto).
O acordo começa por sublinhar que a actual reorganização da rede continua o processo iniciado em 2005; face a isso e à construção de 600 centros escolares, “cerca de três mil escolas de reduzida dimensão por todo o país”, devem encerrar - sendo que 2500 foram fechadas na anterior legislatura; e o Governo, recorde-se, tinha anunciado a intenção de fechar 500 até Setembro e outras tantas durante a legislatura.

A lista de escolas que não vão reabrir em Setembro só ficará definida nas negociações entre as direcções regionais de Educação e os municípios." »»

Alexandra Inácio

IN: jn.sapo.pt

Todos contra encerramento de escolas no distrito de Viseu

«« Os presidentes das juntas de freguesia de Calde e Boaldeia mostraram-se ontem preocupados com o eventual encerramento de escolas nas freguesias que lideram. Durante a reunião da Assembleia Municipal de Viseu, os autarcas lamentaram que a medida avançada pelo Governo – fechar as escolas com menos de 21 alunos – vai “acabar com as aldeias”.


António Neves, presidente da Junta de Freguesia de Boaldeia, foi uma das vozes de descontentamento, afirmando que se a escola local encerrar – actualmente com 16 alunos – “as pessoas deixarão de ver vida em Boaldeia”. O autarca lembrou que ao se avançar com esta medida, os alunos terão de ir para outra freguesia. “Gastámos dinheiro na requalificação do edifício, os alunos têm condições. Se encerrarem a escola, as crianças são tiradas do seu ambiente natural”, sustentou.

O receio de António Neves foi igualmente salientado pelo presidente da Câmara de Viseu. Fernando Ruas sustentou que a reorganização da rede escolar tem “critérios perfeitamente discutíveis e questionáveis” e que as propostas “têm de ser apresentadas pelo Ministério da Educação ao município que tem a obrigação de as analisar ponderadamente”.

“A legislação produzida nos gabinetes ministeriais tem carácter genérico, não atendendo a situações específicas das comunidades locais, nomeadamente dos municípios do interior do País e, se não for devidamente aplicada, pode gerar situações de injustiça, incomodidade, desconforto e de claro prejuízo para essas comunidades”, disse o autarca social-democrata.

No concelho de Viseu existem 20 escolas com menos de 21 alunos, cinco delas com número inferior a 10 crianças.



Manifestação

O protesto pelo não encerramento de escolas ganhou ontem nova forma com cerca de 300 pessoas a protestarem em Viseu. Alunos, encarregados de educação e professores juntaram-se às vozes que estão contra o “abate de escolas” e a constituição de “mega agrupamentos”. Uma manifestação promovida pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC).

Professores, pais, avós e alunos de vários pontos do distrito onde as escolas do 1.0 ciclo do ensino básico podem vir a encerrar concentraram-se no Rossio e deslocaram-se até ao governo civil.

Nas mãos levavam cartazes com inscrições como “As nossas crianças precisam de escolas nas suas aldeias”, “Abater uma escola é fechar uma aldeia”, “A melhor escola é a que fica perto do colinho da minha avó” e “Mega-agrupamentos - juntar escolas para despedir pessoal”. “Fomos entregar ao senhor governador civil duas mil assinaturas de tomadas de posição de oito concelhos do distrito de Viseu onde estas questões estão mais agudas”, explicou aos jornalistas Francisco Almeida, do SPRC, aludindo aos municípios de Mangualde, Sátão, Vila Nova de Paiva, Castro Daire, Santa Comba Dão, S. Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades.

Francisco Almeida criticou que o Ministério da Educação (ME) não esteja a negociar a constituição de mega agrupamentos, contando que nem aos directores e aos conselhos gerais das escolas pergunta opinião.

Preocupada com a possibilidade de encerramento da escola de Prime, Viseu, onde estuda o seu neto, estava Maria do Rosário, de 72 anos. “Vou levá-lo todos os dias de manhã e buscá-lo todos os dias às cinco e meia, mas sinto-me feliz por ir lá levá-lo e buscá-lo àquela escola que é tão antiga”, contou, acrescentando que se a escola fechar não poderá continuar a apoiar o neto.

Também o presidente da Junta de Mamouros, Fernando Felício, fez questão de participar na manifestação, para tentar evitar o encerramento de uma das duas escolas da freguesia, que tem 11 alunos. “Vai trazer problemas para as crianças, que deixam de ter o apoio dos pais, aquilo a que estão habituadas e obviamente que vão sofrer”, frisou.As crianças da escola de Mamouros também mostraram a sua preocupação, levando até Viseu uma faixa onde pediam “Não encerrem a nossa escola” e outra onde se podia ler “Somos crianças mas sabemos o que queremos: primeiro as condições, depois as decisões”. »»
 
in:http://www.diarioviseu.pt/11514.htm

terça-feira, junho 29, 2010

Obras. Três milhões de euros gastos em 19 escolas que podem fechar

««« Na lista negra do Ministério da Educação estão várias escolas recém-remodeladas

por Rosa Ramos, Publicado em 29 de Junho de 2010

Esta é uma viagem de norte a sul do país que deve ser feita de calculadora em punho. Se o fecho das 900 escolas básicas até 2011, que a ministra da Educação anunciou no início de Junho, for avante, escolas que foram requalificadas e onde foram investidos milhares de euros nos últimos anos podem ter os dias contados. Só em 19 escolas encontradas pelo i - uma amostra - foram investidos mais de 3 milhões de euros.

Para já, o gabinete de Isabel Alçada diz que ainda não existe lista definitiva das escolas que vão fechar no próximo ano lectivo, por ainda estarem em curso negociações com as autarquias. Mesmo assim, e pegando na lista inicial, não é difícil encontrar casos de escolas recém-remodeladas com ordem para fechar.

No concelho de Castro Verde, por exemplo, estão em risco cinco estabelecimentos - Casável, Entradas, Santa Bárbara de Padrões, Sete e São Marcos da Ataboeira. Escolas onde, entre 2007 e 2009, se gastou um milhão de euros, entre requalificações e melhoramentos. "Foram dotadas de quadros interactivos, espaços polivalentes e de refeição, aquecimento e sofreram obras de remodelação e ampliação", enumera o presidente da câmara, Francisco Caldeira Duarte. As melhorias foram financiadas pela autarquia e "por fundos comunitários, com o aval do Ministério da Educação (ME)". Só na escola de Entradas foram gastos 250 mil euros.

Do Alentejo, segue-se para o distrito de Castelo Branco. Na Sertã, a escola do Carvalhal também aparece na lista negra da tutela. "O fecho já estava previsto, porque a escola só tinha 17 alunos, mas nunca pensámos que a medida fosse avante", admite o presidente da câmara, José Nunes. Mesmo assim, o edifício recebeu obras há quatro anos, que custaram "aproximadamente 50 mil euros".

Mais a norte, em Castro Daire, podem fechar sete escolas - Cêtos, Folgosa, Ester, Reriz, Mamouros, Moledo e Vila Boa. "Mas se se levasse à letra o rácio dos 21 alunos, fechariam mais e só sobravam cerca de dez", garante o presidente da associação de pais do agrupamento de escolas do concelho. No ano passado, escolas como Cabril e Póvoa do Veado foram intervencionadas - apesar de terem menos de 21 alunos. Obras cujo custo "rondou os 150 mil euros", quantifica. Não muito longe, em São Pedro do Sul, parece existir o problema inverso. "Está previsto que fechem duas escolas em 13, mas as do primeiro ciclo não sofrem obras desde os anos 50 e, em algumas, o aquecimento ainda é feito com lareiras e salamandras", critica António Coelho, da associação de pais.

"A confusão do Ministério da Educação [ME] é grande", acusa Rui Martins, da Federação Regional das Associações de Pais de Viseu. "No dia 30 de Março, a proposta do ministério era encerrar cinco escolas e um jardim-de-infância. A 29 de Abril, eram 11 escolas e dois jardins-de-infância. A 19 de Maio já eram oito escolas." Se o rácio proposto pelo ME fosse cumprido, encerrariam, no concelho de Viseu, 23 estabelecimentos. "E a câmara tem modernizado todo o parque escolar, com custos a rondar os 3 milhões de euros", garante Rui Martins. "Este é o panorama da autarquia de Viseu. Basta multiplicar estes valores pelas restantes câmaras para ter uma ideia do esbanjar de dinheiro."

As queixas são consensuais: houve desperdício, sobretudo porque no entender dos autarcas a última decisão do ME passa por cima daquilo que foi homologado, nos últimos anos, nas cartas educativas. "No Baixo Alentejo, e perante a desertificação, o limiar de 11 alunos sempre foi considerado consensual", diz Francisco Caldeira Duarte. »»

in: http://www.ionline.pt/conteudo/66798-obras-tres-milhoes-euros-gastos-em-19-escolas-que-podem-fechar

terça-feira, junho 15, 2010

Ainda sou do tempo! Educação - Castro Daire

Eu ainda sou do tempo em que ia a pé para a escola...

E ainda sou do tempo em que quase todos tinham transporte menos os de Vitoreira por não serem do PSD....
Que não se voltem a repetir estes erros!

Defendamos a escola para todos, e que todos tenham as mesmas condições de acesso.

Não podemos deixar fechar a escola de Cabril, nem a de Parada, nem a de Ester nem as outras...

E para alem disso exijamos as mesmas condições do resto do país, não nos podemos deixar ser tratados como portugueses de segunda!

Resumindo, exigimos escola em Cabril e com as mesmas condições que todo o país.

Se isto não acontecer defendo, que todos os Cabrilenses, em Cabril ou noutras paragens, independentemente das opiniões partidárias se unam para esta luta.

Caso não nos oiçam, em Cabril todos nos deveríamos recusar a participar em qualquer lista partidária em eleições autárquicas ou outras. Pois se nos retiram tudo, não contem com a nossa colaboração!

segunda-feira, junho 14, 2010

domingo, junho 13, 2010

Viagem às aldeias que não querem ser modernas - Educação Castro Daire

««« Cabril e Ventosa, em Castro Daire e Vouzela, estão na lista das escolas a abater. Porque alguém fez contas decabeça. Por ali há estradas onde não passam carros

01h12m

"No tempo em que não havia desenvolvimento, era escolas em todo o lado". Ela está de negro, num caminho de Sacorelhe onde há que ir porta adentro para deixar passar os carros. Em Sacorelhe já houve desses tempos. Com escola. Hoje, é um lugarejo bucólico da Ventosa, a uns curtos dez minutos de Vouzela, a menos ainda da moderna A25. A escola, essa, morreu.

A canalhada já não corre por ali - a pouca que há vai ao bé-a-bá com "o Carlos da carrinha" até à Ventosa Centro, chamemos-lhe assim. Até ver. Ali, a escolinha brilha do fresco das obras que lhe acrescentaram pavilhão e refeitório. Com cozinha e tudo. Para nada. Os almoços só ali foram feitos uns meses. Agora vêm de fora. Até ver. Porque dali, dobrado o Verão, terão saído seis meninos para o ciclo e entrado quatro do jardim-de-infância. Serão 16. Menos do que os 21 que o Ministério da Educação definiu, de repente, como limite para uma primária ter direito a risos de criança.

Célia Dias tem um abaixo-assinado numa mão e a mão de Rui na outra. A avó de Carolina também acena com o papel, ao balcão do Santo António. O palavreado será caro, uma obscura previsão de criar mega-escolas em Vouzela e meter no mesmo saco miúdos e graúdos. E fechar salas concelho fora. É o protesto possível quando as contas do Governo acabam com 12 das 18 escolas de Vouzela. Na Câmara, Sofia Martinho esgrime argumentos contra, fala da Carta Educativa homologada pelo Ministério e lembra que o financiamento para construir centros escolares com melhores condições ainda não está todo aprovado. Há dois a caminho, faltam três para espalhar por Vouzela e poder fechar as escolas, garante a técnica de Educação. "Para quê transportar crianças se não se lhes dá melhores condições?" Brandimos o argumento ministerial: separar as aulas dos quatro anos do 1º ciclo, que, país fora, ainda são dadas por atacado. "Tenho dúvidas: "Os nossos melhores alunos são de escolas de sala única". Está dito.

Eduardo é um deles. Corre no largo da Ventosa, com Carolina. Ambos da 3ª classe, como Rui. Carolina fica meia triste se a escola fechar. São muitos anos, a pré-primária ali, a lembrança de quando encontrava "caganitas de rato" na carteira. Hoje não, que aquilo cintila. Eduardo só sorri. Ir para a escola em Vouzela é "mau". Pronto. Rui abre-se algo mais. Gosta de aprender ali, a 50 metros de casa.

E eles são dos grandes. O problema será dos mais pequenos. Ana, mãe da Carolina, foi auxiliar no jardim-de-infância até há meses. Lembra-se do choro dos miúdos que iam para a 1ª classe e iam comer ao infantário porque era ali que se sentiam seguros. "A passagem para a primária é um choque grande para eles". E será, apesar da curta distância, desumano. Porque se Rui e Eduardo e Carolina vivem na Ventosa Centro, outros 15 são de Sacorelhe e sítios mais perdidos, onde são apanhados pelo "Carlos da carrinha", não raro à margem da estrada, depois de caminhos onde não cabem rodados. Hoje, são deixados na escolinha. Ela fechando, terão de se levantar antes das galinhas para se enfiar, à sorte deles, na carreira.

E não, a vila não é nada longe. Fosse essa a distância de Cabril a Castro Daire e os ânimos andariam mais serenos por aquela freguesia remota encostada a Arouca. Anteontem, ali, não havia escola. Era dia de passeio, os 14 meninos da escola florida com campo da bola da largura de uma baliza, foram até Ílhavo. No silêncio da fria morrinha, os seixos brancos a dizer Cabril soam tristes no edifício que, assim vazio, deixa antever o futuro.
Joaquina Paiva despacha almoços no Cantinho de Cabril, à medida do conduto que haverá no talho da porta do lado. Hoje, só para clientes adultos. Os outros, lá está, foram para Ílhavo. Menu escolar pendurado frente aos olhos, descasca batatas lamentando que, quando as crianças se forem, ninguém lhes haverá de levar a sopa à boca. E Joaquina perderá aquele arredondamento de fim de mês e Gaspar Duarte, dono do Cantinho, o pouquito que ganha com as refeições escolares. Mas nem será isso que os incomoda. É o vazio que se anuncia. "Tiram-nos as crianças, tiram-nos tudo".

Por ora, nos fins de tarde, fazem companhia à terra, 17 km de freguesia de ponta a ponta. No futuro, diz Francina, avó de Marta, lágrima no olho, erguerão às seis da manhã para a carreira e só voltarão a ser ouvidos pelas sete da tarde. Como os grandes dali. Enquanto os pais não desistirem. Os filhos de Jorge Teles são pais que foram com os filhos. A aldeia silencia-se, já tem lugarejos fantasmas. Jorge lembra-se de quando era professor e corriam por ali mais de 120 putos. E havia telescola. Desenvolvimento no tempo sem ele. O de hoje não é para ali chamado. A Internet de meio mega ameaça não passar disso, sem escola não há investimento da PT.
"Até nisso somos prejudicados". José Gonçalves preside à Junta. E tem a garantia da autarquia que a escola não se vai, porque não há centros escolares prontos. Sem certezas. A única é a de que está tudo do avesso no país: Alvarenga, ali a dez minutos, tem escolas e gente e tudo. Mas fica noutro concelho, noutro distrito, noutra região de Educação, a anos-luz de Cabril. "São mais abertas as fronteiras entre países do que entre municípios dentro do país", resume António Luís, director do Agrupamento de Escolas de Castro Daire e com um olhar sem véus sobre a rede de escolas. Sim, muitas devem fechar. Não, não devem fechar se não se oferecer nada às crianças além de estradas às curvas. Sim, o fecho é economicista. Não, o Ministério não respeita o que é pensado pelas escolas e pelas autarquias. Sim, Cabril está na lista negra. "É uma sentença de morte para a freguesia" - José Gonçalves despede-se, emoldurado pelas alminhas da praça. "Com Deus eu vou e volto".

in: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1592142

quarta-feira, junho 09, 2010

Escolas só fecham quando houver centros escolares - Educação Castro Daire

2010-06-04

TERESA CARDOSO

«« A Câmara Municipal de Castro Daire (CMCD) não aceita fechar, no próximo ano lectivo, qualquer das 21 escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico (CEB) a funcionar no concelho.

"Não medirei esforços nesse sentido", promete o autarca Fernando Carneiro, numa reacção a notícias que dão conta do encerramento, já no próximo ano lectivo, no concelho de Castro Daire, de todas as escolas do 1º CEB que tenham menos de 20 alunos.

O autarca socialista justifica a posição de força, contrária à avançada pelo Governo, com o facto de a Câmara estar ainda a analisar as candidaturas para a construção dos quatro centros escolares contemplados na Carta Educativa.
"Face a esta realidade, a reestruturação da nova rede escolar do município de Castro Daire será realizada nessa altura, não fazendo sentido operar uma reestruturação por um período de apenas um ano lectivo, quando se prevê a abertura dos centros escolares para 2011/2012", justifica Fernando Carneiro.

O presidente da autarquia afirma ter dado já conhecimento da sua posição, e do executivo que dirige, à responsável pela Direcção Regional de Educação do Centro (DREC).

Castro Daire conta ainda com uma rede pré-escolar que inclui 18 jardins de infância e cinco pólos de itinerância da rede pública. Acrescem, ainda, unidades geridas por instituições particulares de solidariedade social.

Castro Daire, Cinfães, Lamego, S. Pedro do Sul e Vouzela são municípios que poderão, segundo o Sindicato dos Professores da Região Centro, ficar reduzidos à escola da sede do concelho.


in:http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Viseu&Concelho=Castro%20Daire&Option=Interior&content_id=1585311