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quarta-feira, maio 01, 2013

Quantos bivalves se estão a matar com as descargas no Paiva?

Life+ Ecótono: Capturados os primeiros Mexilhões-de-rio reproduzidos em cativeiro em Portugal

Quercus - Assoc. Nac. de Conservação da Natureza (30-04-2013)
Foram capturados os primeiros juvenis de mexilhão-de-rio (Margaritifera margaritifera) reproduzidos em cativeiro no Posto Aquícola de Campelo (concelho de Figueiró dos Vinhos), no âmbito do projeto Life+ Ecótono, dinamizado pela Quercus com o cofinanciamento do programa Life da União Europeia, da Agência Portuguesa do Ambiente e do Município de Castro Daire.
Esta é a primeira vez que é efetuada com sucesso a reprodução deste bivalve de água doce que se encontra ameaçado de extinção em Portugal, devido ao desaparecimento das populações de peixes hospedeiros (nomeadamente a Truta-de-rio), à existência de poluição orgânica das águas, à modificação dos cursos de água com deposição de detritos no leito e à construção barragens e açudes.
A Margaritifera margaritifera é um molusco bivalve filtrador, que na Península Ibérica pode chegar atingir os 70 anos de idade, constituindo-se com um excelente indicador da qualidade das água, pois só ocorre em cursos de água pouco poluídos. O rio Paiva, uma das áreas de intervenção do projeto possuem uma população envelhecida que está agora incrementada no âmbito deste projeto. A reprodução da espécie ocorre no verão e as larvas (gloquídeos), logo que são expelidas na água, fixam-se nas brânquias dos peixes hospedeiros, como a Truta-de-rio (Salmo trutta), registando-se durante o sete meses seguinte uma lenta metamorfose. No final da primavera, os juvenis abandonam o peixe hospedeiro deixando-se cair no fundo do curso de água. Prefere rios de águas limpas e claras, de correntes não muito fortes, relativamente pobres em cálcio, com fundos rochosos-arenosos, pouco lodo, escolhendo zonas de remanso junto às margens dos cursos de água.
O que se efetuou em cativeiro foi recriar nas instalações do Posto Aquícola de Campelo o processo que ocorreria na natureza, pelo que logo que houve a confirmação de que as larvas começavam a ser libertadas pelas fêmeas, o que veio a ocorrer em setembro de 2012, estas foram colocadas junto dos peixes hospedeiros. O processo de parasitação realizou-se em poucos dias, ficando as trutas jovens infestadas em tanques até que, já em inícios deste mês de abril, as trutas foram transladadas para tanques construídos para efeito onde são capturados os juvenis, os quais são constituídos por três reservatório e por um sistema de circulação de água que incorpora telas de retenção.
Neste momento, diariamente procede-se à contagem dos juvenis capturados, com o auxílio de lupas binoculares, e estão a ser testadas diferentes formas de alimentação, sendo que serão em breve colocados alguns exemplares no rio Paiva, para comparar as taxas de crescimento que ocorrem no meio natural com as obtidas em cativeiro e assim aferir qual o método que permite obter os melhores resultados.
Este projeto, que decorre entre 2012 e 2016, possue uma componente de reabilitação dos bosques de amieiros no rio Paiva (Castro Daire) e na ribeira do Torgal (Odemira) e prevê ainda a reprodução de outro mexilhão-de-rio, o Unio tumidiformis, espécie que ocorre no sul do País, mas que parasita os Escalos (Squalius sp.). Também se prevê efetuar repovoamentos com os peixes hospedeiros das espécies em ambos os locais.
 

domingo, agosto 28, 2011

Será que esta gente da camara sabe o que anda a fazer?

2011-08-25
 
ICNB chumbou construções na praia natural do Lodeiro (Castro Daire)


A Câmara de Castro Daire anunciou recentemente a abertura de concurso público para as obras de construção de "Insfraestruturas de apoio à prática de desporto e aventura no Rio Paiva."

Ao tomar conhecimento deste projecto a Associação SOS Rio Paiva contactou a Câmara de Castro Daire demonstrando preocupação com a intervenção prevista em área protegida, bem como com a poluição do rio que poderia tornar inúteis estas novas zonas de lazer, defendendo como prioridade a "eliminação imediata e urgente dos focos de poluição".

O SOS Rio Paiva perguntou "Qual o objectivo desta obra, que tipo de desportos irá servir e quando está previsto o início dos trabalhos de demolição e movimentação de terras bem como das de infra-­ estruturas, conforme especificado no anuncio de procedimento no 5991/ publicado no Diário da República de 31 de Dezembro de 2010?"

A Câmara de Castro Daire garantiu, em ofício assinado pelo Presidente da Câmara, que o projecto estava aprovado pelo ICNB (Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade) e que as obras teriam início logo que estivessem aprovadas no "Mais Centro" e "haja contrato de financiamento". Nada foi adiantado em relação aos pormenores do projecto nem ao objectivo do mesmo.

Praia natural do Lodeiro (Rio Paiva) - Castro Daire

O SOS Rio Paiva solicitou ainda esclarecimentos ao ICNB que surpreendentemente nos informou agora que o pedido da Câmara de Castro Daire para a construção de "Insfraestruturas de apoio à prática de desporto e aventura no Rio Paiva" obteve parecer desfavorável.

Segundo conseguimos entretanto apurar o projecto previa a construção de um ancoradouro, um campo de jogo de areia, um parque infantil, bar de apoio, balneários, chapinheiro e melhoramento das acessibilidades às margens do rio, bem como a construção de um pequeno parque de estacionamento.

In:http://www.riopaiva.org/2011/08/icnb-chumbou-construcoes-na-praia.html?spref=fb

segunda-feira, julho 18, 2011

Câmara de Castro Daire alvo de processo de Contra-Ordenação

««ETAR de Castro Daire sem Licença para drenar no Rio Paiva!


Localização da ETAR e local da descarga no Paiva

O caso estava há vários meses a ser seguido pela Associação SOS Rio Paiva na sequência de várias denúncias/alertas e de uma série de indícios recolhidos pela Associação sobre o funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais [ETAR] de Castro Daire situada a montante da Ponte Pedrinha naquele concelho e que indicavam a possibilidade daquela ETAR estar a poluir o Rio Paiva, 'o mais limpo da Europa'.

A Associação de Defesa do Vale do Paiva contactou a Câmara de Castro Daire por escrito, no dia 26 de Abril de 2011 pedindo esclarecimentos sobre o funcionamento da ETAR e se ela estaria a poluir o Paiva. A resposta foi dada apenas no dia 7 de Junho de 2011 de forma bastante evasiva sem esclarecer as nossas dúvidas.

Descarga ilegal da ETAR de Castro Daire no Rio Paiva

Na sequência de uma série de indícios graves que foram sendo recolhidos com a colaboração de diversos cidadãos e do Colectivo dos Verdes de Viseu, foi efectuada uma denúncia no dia 9 de Maio de 2011 ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR [SEPNA].

Passados mais de dois meses confirmaram-se as suspeitas sobre o funcionamento daquela infra-estrutura sendo que o caso apresenta-se ainda mais grave do que o esperado.

Segundo o próprio SEPNA, além de apresentar evidentes deficiências de funcionamento, a ETAR de Castro Daire não possui a respectiva Licença de rejeição de águas residuais, conforme é determinado pelas leis nacionais.»»
 
in:http://www.riopaiva.org/

segunda-feira, maio 02, 2011

SOS Rio Paiva questiona Câmara de Castro Daire

««Confrontada com a recente abertura de concurso público por parte da Câmara Municipal de Castro Daire para a realização de obras que incluem construções em betão armado e edifícios de bar e balneários nas margens do rio Paiva (praia natural de Lodeiro, Freguesia de Cabril) de apoio à prática de desportos de aventura, bem como de diversas denúncias que nos chegaram sobre o mau funcionamento da ETAR situada junto à Ponte Pedrinha naquele concelho, a Associação SOS Rio Paiva contactou esta semana o Presidente da autarquia local através de ofício no sentido de procurar alguns esclarecimentos sobre estas duas questões. Neste sentido a SOS Rio Paiva pergunta ao Presidente da Câmara:


a) Qual o objectivo desta obra, que tipo de desportos irá servir e quando está previsto o início dos trabalhos de demolição e movimentação de terras bem como das respectivas construções de infra-estruturas, conforme especificado no anuncio de procedimento nº 5991/2010 publicado no Diário da República de 31 de Dezembro de 2010.

b) Em que estado se encontra a ETAR de Castro Daire, localizada na margem direita do rio Paivô? A autarquia a que preside pode garantir que aquela infra-estrutura está a funcionar correctamente e que não está a poluir o rio Paiva?

A Associação lembra a inutilidade de se avançar com a construção de infra-estruturas e zonas de lazer no Paiva enquanto não forem definitivamente erradicados os focos de poluição que já levaram ao encerramento, por exemplo da praia fluvial de Fráguas (Vila Nova de Paiva).

Aguardamos a resposta da autarquia da qual daremos conta neste espaço.»»
 
in:http://sosriopaiva.blogspot.com/2011/04/sos-rio-paiva-questiona-camara-de.html

quinta-feira, abril 28, 2011

Desenvolvimento insustentável

""As Câmaras municipais de Castro Daire, Vila Nova de Paiva e Arouca abriram em finais de 2010 concursos públicos para a construção de infra-estruturas nas margens do Paiva:
1. A Câmara de Castro Daire pretende investir cerca de 300.000 euros na construção de infra-estruturas de apoio à prática de desportos de aventura, obras que implicam demolições, movimentação de terras construções em betão armado e edifícios de bar e balneários na praia natural de Lodeiro, Freguesia de Cabril (Figura 1). (Diário da República de 31 de Dezembro de 2010, Anúncio de procedimento nº 5991/2010)

Figura 1: Praia natural de Lodeiro - Rio Paiva (2011)

2. Por sua vez, a Câmara de Vila Nova de Paiva pretende investir 1 milhão 350 mil euros na construção do Parque Urbano e Praia Fluvial de Vila Nova de Paiva. (Diário da República de 19 de Novembro de 2010, Anúncio de concurso urgente nº 546/2010)
3. A Câmara de Arouca vai investir 2,4 milhões de euros na construção de um restaurante 'pendurado' sobre o Paiva na Ponte de Alvarenga (Figura 2) e diversos passadiços e pontes ao longo de 7kms das escarpas da garganta do Paiva entre a ponte e a Espiunca, num dos troços mais bem conservados e selvagens do rio.

Figura 2: Ponte de Alvarenga / 'Garganta do Paiva'

No total são mais de 4 Milhões de euros na construção de infra-estruturas de turismo e lazer num rio que nos últimos anos tem estado impróprio para banhos devido à frequente má qualidade das suas aguas sem que se invista um cêntimo na eliminação destes focos de poluição. O mais grave e que existem cada vez mais indícios de que são as próprias Câmaras Municipais as responsáveis pelas descargas poluentes devido ao mau funcionamento das ETAR que drenam para o Rio Paiva e para os seus afluentes, uma situação extremamente grave que coloca não só em risco o habitat de várias espécies protegidas de plantas e animais, mas também a saúde pública de milhares de pessoas por ser o Rio Paiva fonte de abastecimento de água a vários concelhos da região.
A juntar a tudo isto torna-se evidente que este conjunto de obras vão aumentar substancialmente o grau de artificialização de um rio que se tornou único e belo precisamente pelas suas paisagens naturais e bem conservadas.
A Associação SOS Rio Paiva repudia a execução destes investimentos continuando a defender como PRIORIDADE URGENTE a identificação e eliminação dos focos de poluição, para o que este dinheiro seria certamente muito útil.""

in:http://sosriopaiva.blogspot.com/2011/04/4-milhoes-na-construcao-de-infra.html

quarta-feira, abril 27, 2011

Mais uma vez "cagaram" para a nossa Paiva! 05

Sábado 23-04-11, depois de uma semana de alguma chuva, este dia ameaçou chuver, logo voltou a cor azul ao Rio Paiva.


E voltaram a cagar para o Nosso Rio!

Mais uma vez toda gente sabe, vê e cheira, mas ninguem faz nada!



quarta-feira, janeiro 20, 2010

Ainda existe no Paiva. Eu vi! O futuro do mexilhão-de-rio.

"O futuro do mexilhão-de-rio Margaritifera margaritifera (L.) em Portugal.

JOAQUIM REIS
Instituto de Conservação da Natureza / PORTUGALA - n.o 3 - Maio 2004

Em Bemposta encontra-se a jusante da barragem. É mais abundante junto à foz do rio Tormes.

O mexilhão-de-rio (Margaritifera margaritifera) é um bivalve de água doce que pertence à ordem Unionoida. Esta ordem caracteriza-se pela existência de uma fase larvar parasita, sendo o hospedeiro em geral um peixe. A larva, denominada gloquídio, fixa-se preferencialmente às brânquias do hospedeiro onde sofre a metamorfose para a fase juvenil, que então se liberta caindo no sedimento onde viverá o resto da vida. No caso de M. margaritifera o gloquídio é parasita obrigatório de peixes da família Salmonidae, especialmente o salmão (Salmo salar) e a truta (Salmo trutta). Este mexilhão-de-rio possui uma longevidade considerável, que ultrapassa frequentemente os cem anos nas latitudes mais elevadas. Vive em águas correntes frias, oligotróficas e ricas em oxigénio, sendo muito pouco tolerante à poluição e a modificações das características físicas do seu habitat.
Tendo sido provavelmente o animal mais abundante dos rios do hemisfério norte, M. margaritifera encontra-se em regressão acentuada em toda a sua área de distribuição.

Estima-se que cerca de 95% das suas populações tenham já desaparecido. As maiores populações mundiais encontram-se em locais muito pouco humanizados, na Escócia e na Rússia. Muitas populações estão ameaçadas pelo desaparecimento do salmão e da truta, que impede o completar do ciclo de vida. Para além do desaparecimento dos hospedeiros, as principais causas da regressão são a poluição, construção de barragens e modificação do habitat. Actualmente a espécie está protegida a nível Europeu pela Directiva Habitats (Anexos II e V) e pela Convenção de Berna (Anexo III).

No inicio do século XX M. margaritifera era conhecido nos rios Douro, Ferreira, Paiva, Sousa, Tâmega e na bacia do Vouga. Em 1986 o investigador alemão Gherard Bauer não encontrou vestígios destas populações, mas apenas a partir de 2001, com o apoio do Instituto da Conservação da Natureza, se procedeu a uma avaliação nacional da distribuição da espécie. Actualmente são conhecidas cinco populações que ocorrem em seis rios: Cávado, Mente, Neiva, Paiva, Tuela e Rabaçal. Nos rios Cávado e Neiva foram até agora encontrados apenas três indivíduos em cada um deles, o que as torna populações em risco de extinção eminente. No Rio Paiva subsistem apenas algumas dezenas de indivíduos. Somente as duas populações da bacia do Tua (Tuela e Rabaçal/Mente) são de dimensões significativas e viáveis. A população do Rabaçal/Mente, com um milhão de mexilhões distribuídos ao longo de 60 km de rio constitui mesmo uma das maiores populações europeias conhecidas, e provavelmente a maior população ibérica.

As populações do Tuela e Rabaçal/Mente encontram-se localizadas no Parque Natural de Montesinho estendendo-se alguns quilómetros para sul. Nesta área os rios mantêm a sua integridade devido à fraca influência humana. No entanto, são áreas de elevado interesse para aproveitamento hidroeléctrico, sendo a construção de barragens a principal ameaça à continuidade das populações de mexilhão-de-rio. As dimensões, localização e características dos aproveitamentos determinam o seu efeito na população de M. margaritifera. Actualmente estão em fase de construção os aproveitamentos hidroeléctricos de Rebordelo e Bouçoais, no rio Rabaçal, que afectam cerca de metade da extensão de ocorrência da espécie neste rio. O efeito deste tipo de aproveitamentos no futuro da espécie é incerto, mas pode em última análise levar à sua extinção. Tanto mais que não foram previstos para estes empreendimentos quaisquer medidas de minimização, já que não existia informação relativa à presença do mexilhão no rio à data da aprovação do processo.

Em Portugal o futuro de M. margaritifera depende de medidas de recuperação do habitat e repovoamento nos rios Cávado, Neiva e Paiva e da capacidade de proteger efectivamente as populações dos rios Mente, Tuela e Rabaçal. Não o conseguindo, M. margaritifera desaparecerá definitivamente do nosso país.""

IN:http://www.bragancanet.pt/bemposta/html/peixesbemposta.htm#O_futuro2