quinta-feira, maio 01, 2014

Binaural (Associação Cultural de Nodar, São Pedro do Sul) premiada!


Prémio Miguel Portas para associação que faz mapas dos sons das aldeias

A Binaural – Associação Cultural de Nodar, de São Pedro do Sul, vai usar os 10 mil euros do prémio para reforçar o arquivo das memórias das zonas rurais. Há uma década que está em campo e o território continua a ser a sua matéria-prima.

Nasceu há 10 anos para explorar artisticamente as zonas rurais, sobretudo no domínio da arte sonora experimental cruzando-a com outras expressões, como a arquitectura ou a arqueologia, e tem feito do território a matéria-prima de um trabalho demorado, contínuo e intenso. Instalou-se em Nodar, uma pequena aldeia de S. Pedro do Sul, e resgatou-a para o seu nome.Com uma década de trabalho, a Binaural/Nodar, colectivo artístico, associação sem fins lucrativos, ganhou a primeira edição do Prémio Miguel Portas 2013 subordinado ao tema As Margens e as Pontes  uma distinção promovida por um grupo de amigos e familiares do fundador do Bloco de Esquerda (BE), desaparecido em 2012 e que faria 56 anos neste 1 de Maio.
O prémio de 10 mil euros foi entregue nesta quarta-feira, na livraria Ler Devagar, na LX Factory, em Lisboa. Na primeira edição do prémio, que quer distinguir iniciativas sociais, destacando reflexões práticas sociais e culturais em torno de questões europeias, candidataram-se cerca de 60 projectos. Dois receberam menções honrosas: os projectos Buala e Mouraria Light Walk.
O prémio chega a Nodar numa data redonda, dez anos de vida, e é atribuído por um júri presidido por Nuno Portas, composto por Clara Ferreira Alves, Augusto M. Seabra, João Fernandes, Miguel Vale de Almeida, Isabel Allegro, Cláudio Torres, Maria do Carmo Bica, Ana Drago, António Costa e José Manuel Pureza.
A decisão foi unânime e o júri salienta “a qualidade, o rigor e a exigência da experimentação de novas linguagens artísticas com um contexto do interior do país, esquecido pelos roteiros habituais das manifestações culturais em Portugal”.
Coube a Augusto M. Seabra justificar a decisão na sessão da Ler Devagar. Começou por lembrar que Miguel Portas era “alguém intensamente cosmopolita, sabendo que o cosmopolitismo começa em nós, ao sabermos ter mundo, e descobrir o mundo em volta”.
O crítico (e colaborador do PÚBLICO) disse serem também estas as características do projecto vencedor. “Ignorado pelos grandes centros de criação de discurso em Portugal, mas com repercussões em cidades, de Londres a Boston”.
“Há prémios que honram os premiados e há prémios em que são os premiados que honram os júris”, acrescentou Seabra, referindo ser uma grande honra atribuir o Prémio Miguel Portas à associação Binaural.
Também membro do júri, João Fernandes, sub-director do Museu Rainha Sofia, em Madrid (e ex-director artístico do Museu de Serralves, no Porto), disse que recordar Miguel Portas será sempre “uma celebração das possibilidades de transformação da vida nas suas pequenas e grandes revoluções, nos projectos que, mais ou menos visíveis, traduzem essa extraordinária capacidade de agir em comum, de construir o comum, com as quais Miguel Portas juntava pessoas a partir do entendimento das diferenças”.
A sessão na Livraria Ler Devagar teve lotação esgotada, e a ela compareceram muitas figuras históricas do BE, como Francisco Louçã e Daniel Oliveira.  
Sentido de invisibilidade
O prémio sabe bem. “É o reconhecimento de um interesse que, a pouco e pouco, vai acontecendo em relação às nossas actividades. Há um sentido de invisibilidade no nosso trabalho, porque é um trabalho contínuo, de laboratório, e não de festival”, disse ao PÚBLICO Luís Costa, presidente da Binaural. “Seguimos a paisagem, seguimos a cultura. A nossa matéria de trabalho está ligada ao território. E a criação artística também tem esse poder de despertar percepções de futuros possíveis”, acrescentou. 
Os 10 mil euros do prémio vão ser aplicados no que a Binaural sabe fazer. “Vamos reforçar a componente de documentação antropológica sobre o território, nesse arquivo de memórias das zonas rurais focado nos aspectos de transformação social das aldeias, falando com as pessoas que lá vivem, com os emigrantes, na procura de futuros possíveis”, revelou.
Luís Costa sabe a importância das margens e das pontes no trabalho que desenvolve diariamente em territórios essencialmente rurais. Há cinco anos, nasceu o projecto Aldeias Sonoras para juntar crianças e jovens de várias localidades rurais a captarem sons que se escutavam nessas terras. Neste momento, o projecto que cresceu para Cidades Sonoras, está a ser realizado em S. Pedro do Sul com o mesmo conceito. E quando há um rio que é o protagonista de residências artísticas, como aconteceu há três anos noPaivascapes #1 – Festival Sonoro do Paiva, que juntou vários artistas da Europa, América e Ásia, e que o PÚBLICO acompanhou, há pontes que se lançaram em vários territórios, por onde o rio passa.
Nas margens do Paiva, um dos rios mais limpos da Europa, registaram-se sons para que fossem escutados e sentidos como vieram ao mundo. Há também pontes que se constroem com artistas portugueses e estrangeiros que se instalam em Nodar para reflectirem e trabalharem artisticamente no território.
Em Outubro, começará um novo programa de residências artísticas em Nodar com o tema Mobilidade rural que englobará várias áreas, como a emigração, a transumância, vendas ambulantes, peregrinações.
Desde 2006, Nodar já albergou mais de 120 artistas e os que chegam de fora vêm sobretudo de Espanha, França, Itália, Estados Unidos, Canadá e do norte da Europa. Há, no entanto, uma ponte complicada ao longo do percurso. “O mais difícil tem sido o diálogo de proximidade, nomeadamente a nível municipal. O que, para nós, acaba por ser um desafio”.
O presidente da Binaural assume que a associação não tem uma estratégia de comunicação muito agressiva e talvez, por isso, não esteja “no radar das atenções”. As notícias acabam por surgir naturalmente das iniciativas que o colectivo tem desenvolvido. “Estamos mais interessados em estar nos territórios, em viver com as pessoas, em perceber questões que são fundamentais para as comunidades”.
Embora centrada nas zonas rurais, a Binaural tem estado receptiva a trabalhar em cidades. “Temos uma metodologia de trabalho e temos muita vontade de a partilhar”, garante o responsável. Neste momento, por exemplo, Luís Costa está a desenvolver um projecto, uma co-produção com o Teatro Viriato, que junta jovens das paróquias de Viseu a tocar uma composição, a partir de uma partitura gráfica, em sete sinos de sete igrejas e capelas em simultâneo. A Cidade de Mateus: Uma Campanologia Viseense é o nome do projecto que será apresentado a 31 de Maio pelas 20h30, no âmbito do Festival Viseu A….
Para esse mesmo festival, a Binaural está também a criar uma performance/instalação que envolve actores amadores das aldeias do maciço da Gralheira, em São Pedro do Sul. Macário é o nome deste trabalho baseado na lenda popular de São Macário e nas reflexões de José Almeida, octogenário, escultor e pedreiro da aldeia de Macieira e devoto do santo.
Relativamente à sobrevivência, a Binaural conta com o apoio da Direcção-Geral das Artes, de candidaturas que apresenta a projectos europeus e cada vez mais das receitas próprias que surgem com os workshops, projectos educativos e publicações.
“Coisas raras, coisas estranhas”
Nuno Portas, presidente do júri do Prémio Miguel Portas, está satisfeito com o resultado. Cerca de 60 propostas, 20 das quais bastante interessantes e que foram analisados à lupa. “São coisas um pouco raras, um pouco estranhas, que, no fundo, andam à volta das diferenças nas várias geografias, e é isso que é interessante”, refere ao PÚBLICO. O tema escolhido não foi por acaso: As Margens e as Pontes. “O Miguel jogava muito nas fronteiras. Acho que cumprimos o que o Miguel nos pediu”. E quanto ao vencedor, Nuno Portas classifica-o como “um trabalho que basicamente é musical, não é político”. 
Neste momento, não é certo que o Prémio Miguel Portas seja anual. “A ideia é que seja regular, mas não sabemos se teremos meios para que seja anual. E, nesta altura, é difícil fazer promessas”. Na estreia, o apoio substancial para o prémio veio da Fundação Gulbenkian.

terça-feira, abril 29, 2014

Ex-PSP condenado por abusar de crianças (Castro Daire)

 ""Idoso pagava às famílias para estar com os menores. 

28 de Abril 2014, 17h26
 Por:Tiago Vergílio Pereira  

 Arlindo Oliveira, PSP reformado de 71 anos, foi esta tarde condenado a nove anos e seis meses de prisão efetiva pela prática de vinte e seis crimes sexuais a menores.

O tribunal de Castro Daire não teve dúvidas de que Arlindo agiu com o propósito de satisfazer os seus instintos sexuais. Os crimes ocorreram entre 2008 e 2012. O ex-PSP aliciou seis crianças, entre os 10 e os 13 anos, oriundas de famílias desfavorecidas a quem pagava entre 5 e 20 euros para realizar as suas fantasias. O condenado seguiu para o Estabelecimento Prisional de Évora onde já estava preso preventivamente.""



Crianças teriam entre os 10 e os 13 anos


in: http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=059BD9BE-8BD4-4BFC-95F2-E95BE85362F8&channelID=00000010-0000-0000-0000-000000000010

domingo, abril 27, 2014

Cagaram na nossa Paiva!

Hoje, 27-4-14, voltaram  "cagar" para o rio Paiva. É certo que não tem sido habitual nos últimos tempos.
Mas hoje voltaram a ocorrer os erros do passado, choveu ligeiramente ontem, e hoje de manhã, na zona de Cabril, durante duas ou três horas o rio teve a cor verde característica de descargas, e de tarde voltou à sua cor natural de águas límpidas e cristalinas.
Sabendo eu que decorreu nestes dias o PAIVAFEST, um acontecimento ímpar de promoção do Paiva e de toda uma região, muitas vezes esquecida, e que arrastou milhares de pessoas adeptas da natureza e do desporto, questiono-me sobre o que terão ficado a pensar do nosso rio.

Onde estão as autoridades responsáveis por fiscalizar estes verdadeiros atentados?

Para que serve realizarem-se acontecimentos como o Paivafest, construírem-se praias fluviais (300 mil euros) ou promoverem-se projectos de reposição de exemplares de mexilhão de rio etc, etc ... para depois deixarem acontecer descargas destas?

Para que serve uma praia fluvial se o rio estiver poluído?

Para que serve um rio excepcional para a prática de desportos de aventura se estiver poluído?


Para que serve uma câmara municipal responsável por poluir o rio?


 
 
 
 
 
 

sexta-feira, abril 25, 2014

segunda-feira, abril 21, 2014

Reunião Assembleia da Freguesia de Cabril (Abril 2014)


Da ultima reunião da assembleia de freguesia de Cabril, dia 18:

- Aprovação do relatório de contas do ano 2013 por unanimidade;
- Aprovação da adesão da freguesia à ANAFRE;
- Ponto de situação da iniciativa "Cabril d'Ágosto", marcada para a semana de 4 a 10 de Agosto.

sábado, abril 19, 2014

25 de abril Campanha do MFA em Castro Daire resistiu ao 25 de Novembro

Castro Daire acolheu a mais longa campanha do Movimento das Forças Armadas (MFA), liderada pelo capitão Cruz Fernandes, cuja equipa prosseguiu as obras até maio de 1976, resistindo vários meses à viragem do 25 de Novembro.
PAÍS
Campanha do MFA em Castro Daire resistiu ao 25 de Novembro
Lusa
Na sequência dos acontecimentos político-militares que alteraram, a 25 de novembro de 1975, o rumo do processo revolucionário em Portugal, foi extinta a Comissão Dinamizadora Central (Codice) do MFA.

As campanhas do MFA foram "uma onda que avassalou o país de uma ponta à outra", recordou à agência Lusa Manuel Cruz Fernandes, 79 anos, agora coronel reformado do Exército.
As diferentes operações que decorriam no interior, sobretudo no Centro e no Norte, no âmbito das Campanhas de Dinamização Cultural e Ação Cívica, pararam logo a seguir por decisão do poder emergente.
A Codice decidiu intervir na zona de Viseu "por ser um distrito de difícil penetrabilidade" para a revolução do 25 de Abril, pois tinha "uma componente social muito chegada à Igreja e muito conservadora", disse.
Os concelhos de Castro Daire e Sernancelhe "eram considerados as estrelas da dificuldade", acrescentou.
Entre o golpe de 11 de março e as eleições de 25 de abril de 1975, a equipa de Castro Daire realizou dezenas de sessões, incluindo nas escolas, esclarecendo as populações sobre o Programa do MFA, o papel dos partidos, a futura Constituição e a eleição da Assembleia Constituinte.
As professoras e a maioria dos padres do concelho depressa se tornaram parceiros decisivos dos militares, fazendo jus à "Aliança Povo-MFA".
O agrupamento comandado por Cruz Fernandes integrava 36 elementos dos três ramos das Forças Armadas (Marinha, Força Aérea e Exército), GNR e PSP.
"As minhas intervenções tinham sempre muita população. Ficavam ali horas seguidas sem arredar pé", afirmou.
O coronel Cruz Fernandes realçou que "a dinamização deveu muito a uma classe muito especial, que eram as professoras primárias, gente nova com menos de 40 anos", num município onde a docência era exercida maioritariamente por mulheres.
"Havia apenas um professor. A criançada ficou-nos de uma forma geral completamente afeta", referiu.
Engenheiro eletrotécnico, o militar recordou "situações comoventes" vividas com as populações.
Cruz Fernandes sofreu um grave acidente rodoviário. Esteve internado dois meses no Hospital Militar de Coimbra e recebeu "dezenas de cartas de crianças" a desejar-lhe as melhoras.
"Fizemos 16 estradas em Castro Daire", salientou.
Na segunda fase da presença no concelho, após as primeiras eleições, os militares disponibilizavam máquinas e alguns manobradores, bem como trotil para fazer o rebentamento das rochas. O povo pagava o combustível e dava mão-de-obra, enquanto os emigrantes ajudavam com donativos.
"Das 213 povoações de Castro Daire, só a vila e 12 aldeias tinham eletricidade", recordou o coronel do Exército.
A luz chegou a vários lugares, com a participação dos Serviços Municipalizados de Viseu.
"Alguns postes foram levados de helicóptero para as covas, porque não havia estrada capaz de deixar passar as viaturas", contou.
Na abertura de estradas, colaboravam os moradores, incluindo familiares radicados em Lisboa, que iam passar os fins de semana à terra para darem o seu contributo.
A sanidade animal passou a estar também abrangida pela campanha do MFA em Castro Daire.
"As próprias aldeias se nos dirigiam a pedir trabalhos", disse.
Tendo conseguido que o Regimento de Infantaria de Viseu fosse fazer a semana de campo em Castro Daire, Cruz Fernandes envolveu a tropa na abertura de mais uma estrada.
No fim, houve baile animado. O então capitão pagou do seu bolso duas caixas de sardinhas, que foram assadas com lenha de giesta.
A presença dos militares no concelho "espelha precisamente o empenhamento da equipa de dinamização no terreno na resolução das múltiplas solicitações das populações e, em simultâneo, as dificuldades e resistências encontradas", afirmou à Lusa a investigadora Sónia Vespeira de Almeida, autora do livro "Camponeses, Cultura e Revolução. Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA (1974-1975)".
Modesto Navarro, que trabalhou na Codice enquanto civil, faz um balanço da Operação Beira Alta na obra "Gravar a aliança Povo-MFA: vida ou morte no distrito de Viseu".
A intervenção do MFA em Castro Daire durou "um ano, um mês e um dia", segundo Cruz Fernandes.

Capitão Cruz Fernandes revisita obras do MFA em Montemuro (Castro Daire)

actualizado: Tue, 15 Apr 2014 13:14:42 GMT | de Lusa
O capitão de Abril Cruz Fernandes regressou 40 anos depois à Serra de Montemuro, para “passar revista” às “pegadas” do MFA que resistiram à voragem do tempo, tendo sido recebido com emoção.


LUSA/LUSA
LUSA/LUSA
Em Castro Daire, que acolheu a mais longa campanha do Movimento das Forças Armadas (MFA), Manuel Cruz Fernandes, agora coronel reformado, de 79 anos, encontra-se com o amigo Augusto Andrade.
Este antigo motorista da Escola Preparatória João Rodrigues Cabrilho acompanhava diariamente os emissários da revolução no contacto com as populações, em 1975 e 1976.
O civil acabou por tornar-se uma espécie de “ajudante de campo” de Cruz Fernandes no tempo recorde que o MFA permaneceu nas encostas de Montemuro: um ano, um mês e um dia.
Andrade espera Fernandes à entrada dos Bombeiros de Castro Daire. As primeiras palavras vão para os amigos comuns e o desenvolvimento que a vila e as povoações em redor assinalaram desde a saída do MFA, em maio de 1976.
A conversa “calcorreia” aldeias, escolas, coletividades, salões paroquiais, feiras de gado, capelas, festas e romarias.
Cruz Fernandes menciona nomes de lugares onde difundiu o ideário da Revolução dos Cravos e impulsionou diversos melhoramentos.
“Eu falo deste concelho como se cá tivesse nascido”, afirmou à agência Lusa Cruz Fernandes, que, no auge da Campanha de Dinamização, batizou uma filha na capela de Picão, tendo escolhido para padrinhos um casal de Castro Daire.
Na altura, o pároco da Gralheira convenceu o “senhor capitão”, como era conhecido entre os montanheses, da necessidade de rasgar uma estrada unindo Picão àquela aldeia do município de Cinfães, numa extensão de 12 quilómetros.
“O próprio padre Ilídio dava o exemplo e trabalhava na obra como qualquer paroquiano. Só tínhamos dois padres que não estavam com o MFA”, contou Cruz Fernandes.
Augusto Andrade, 76 anos, que integra a Assembleia Municipal de Castro Daire, eleito pelo PS, disse que alguns conterrâneos ainda lhe costumam perguntar: “E o capitão Fernandes?”.
Sobejamente conhecido no concelho, o motorista assumiu-se no terreno como forte aliado do MFA.
“Eu já era de uma família de esquerda, o que também ajudou”, admitiu à Lusa.
Augusto Andrade, que também foi bombeiro, minimizou a capacidade de reação dos contrarrevolucionários: “Poderiam falar por fora, mas provocações não havia porque tinham medo”.
Desde a passagem do MFA por Castro Daire, as populações “modificaram um bocadinho para melhor” e têm “uma mentalidade mais aberta”, acrescentou.
Há 40 anos, Augusto Andrade já era “uma pessoa aberta desejosa de progredir”, salientou Cruz Fernandes.
Ambos partiram uma perna num acidente rodoviário e essa circunstância reforçou a sua amizade.
“Quando regressei do hospital, tive a surpresa de o carro já estar consertado por quotização das pessoas”, lembrou o agora coronel.
Antes da estrada nova, Póvoa de Montemuro “tinha apenas um caminho de cabras” que impedia o desenvolvimento.
Noémia Machado, 72 anos, antiga professora da escola primária local, enalteceu à Lusa o papel do MFA e recordou que quando tirou a carta de condução, quis comprar um carro, mas foi desaconselhada. Empenhou-se depois na ligação Picão-Gralheira.
“Antes da estrada, não tínhamos cá nada”, explicou Noémia Machado.
“Foi uma coisa como da noite para o dia”, disse à Lusa Júlio Paiva Inácio, 61 anos.
Em 1975, Paiva Inácio cumpria o serviço militar em Lisboa, integrando o Comando Operacional do Continente (COPCON). Mas quando estava de folga, na Póvoa, o ex-emigrante ajudava na abertura da via.
Na capital, sob o comando de Otelo Saraiva de Carvalho, “foi muito bom conviver com o povo, porque nós éramos do povo”, disse o antigo militar do COPCON.
No café da Póvoa, emocionado, enquanto come salpicão, pão e vinho, Cruz Fernandes é saudado por mais pessoas, como Aida Cardoso, que há 40 anos frequentava a escola local.
“É uma espécie de fraternidade”, afirmou, realçando que os moradores “participaram no mesmo esforço” de melhorar as condições de vida na Serra de Montemuro.

Pós 25 de Abril 1974 @ Castro Daire









»»'As próprias aldeias se nos dirigiam a pedir trabalhos', disse.
Tendo conseguido que o Regimento de Infantaria de Viseu fosse fazer a semana de campo em Castro Daire, Cruz Fernandes envolveu a tropa na abertura de mais uma estrada.
No fim, houve baile animado. O então capitão pagou do seu bolso duas caixas de sardinhas, que foram assadas com lenha de giesta.
A presença dos militares no concelho 'espelha precisamente o empenhamento da equipa de dinamização no terreno na resolução das múltiplas solicitações das populações e, em simultâneo, as dificuldades e resistências encontradas', afirmou à Lusa a investigadora Sónia Vespeira de Almeida, autora do livro 'Camponeses, Cultura e Revolução. Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA (1974-1975)'.
Modesto Navarro, que trabalhou na Codice enquanto civil, faz um balanço da Operação Beira Alta na obra 'Gravar a aliança Povo-MFA: vida ou morte no distrito de Viseu'.
A intervenção do MFA em Castro Daire durou 'um ano, um mês e um dia', segundo Cruz Fernandes.»»



in:http://noticias.pt.msn.com/imagens/galeria.aspx?cp-documentid=260170967&page=3#image=3

domingo, abril 06, 2014

Sessão de esclarecimento: "FLORESTA PROTEGIDA 2014" - Cabril

"O Núcleo de Proteção Ambiental do Destacamento Territorial de Viseu deslocou-se à Freguesia do Cabril - Castro Daire. No local encontravam-se alguns populares e o Sr Presidente da Junta. Foi feita uma ação de sensibilização com os presentes que mostraram bastante interesse na ação, nomeadamente quanto aos cuidados a ter na realização das queimas e queimadas."







in:https://www.facebook.com/media/set/?set=a.740873325953299.1073742092.271836146190355&type=1

quinta-feira, março 20, 2014

Lê-se por aí! 39

Um grande livro escrito numa linguagem simples e acessível. 
Um livro que faz o leitor procurar as suas recordações do passado.
Excelente! 


terça-feira, março 18, 2014

Reunião Assembleia da Freguesia de Cabril (Março 2014)

No ultimo sábado decorreu mais uma reunião da assembleia de freguesia de Cabril, esta extraordinária e com objectivo de dar seguimento a uma das ideias lançadas para Cabril numa das primeiras reuniões do mandato.
Foi a primeira, das que participei, em que todos os membros da assembleia e da junta presentes, oposição incluída, deram ideias e demonstraram vontade de construir algo em prol de Cabril. Participação, vontade de trabalhar e união sem partidarites!
Em breve haverá novidades!
Assim "Cabril d'Ágosto!"


segunda-feira, março 17, 2014

"As pessoas têm que se afastar do litoral"

CARLOS BORREGO

Antigo ministro do Ambiente diz que os cidadãos "têm que se afastar do litoral o espaço suficiente, quinhentos metros, um quilómetro, aquilo que for necessário para permitir que o mar tenha a sua dinâmica".

Carlos Borrego foi ministro do Ambiente entre 1991 e 1994. Hoje, é professor de engenharia ambiental da Universidade de Aveiro. Depois de um Inverno marcado por vários momentos em que o estado do mar agitou as zonas costeiras, Carlos Borrego diz que é preciso afastar os moradores de algumas zonas costeiras. "Aquilo que for necessário para permitir que o mar tenha a sua dinâmica."
Tem demonstrado grande preocupação com as alterações climáticas e com os seus efeitos em particular em Portugal?Neste decénio do século XXI, tivemos os maiores eventos extremos e a maior frequência de eventos extremos. A velocidade do vento de um anticiclone atingiu pela primeira vez a velocidade dos 348 quilómetros por hora – um valor absolutamente fora de qualquer medição feita. Isto significa que temos de tomar soluções que não são as tradicionais. Há duas abordagens: não emitir para a atmosfera o que continuamos a emitir e aquilo que designamos por adaptação, na qual se exigem processos mais complicados, que obrigam a intervir na infra-estrutura. Por exemplo, a reflorestação é fundamental porque as zonas arborizadas têm um controlo importante sobre as temperaturas mais elevada. As árvores têm emissões de vapor de água e ajudam a controlar as emissões para a atmosfera.
É preciso um novo D. Dinis?
Quase, porque queimamos muito. A nossa área florestada reduziu substancialmente devido aos incêndios. É preciso reflorestar o país naquilo que perdemos por causa dos incêndios, mas não só. Também é preciso compensar os efeitos das construções abusivas, localizar adequadamente os centros urbanos. E isto toca com o litoral. O litoral é uma zona de grande pressão, nas alterações climáticas. Tivemos ao longo dos últimos meses bem a evidência do que podem ser as situações em Portugal. As intervenções na costa têm de ser pensadas de modo totalmente diferente. É outro paradigma: temos de permitir ao mar o seu movimento. Diziam os aldeões da zona costeira: "Ele o traz, ele o leva".
O Governo vai ter de dizer às pessoas que têm de se afastar da costa? Que distância?As pessoas têm que se afastar do litoral o espaço suficiente, quinhentos metros, um quilómetro, aquilo que for necessário para permitir que o mar tenha a sua dinâmica.
Como se convence quem viveu toda uma vida junto ao mar a afastar-se do litoral?Têm de se encontrar mecanismos para os ajudar. E aí são o Governo e as autarquias que têm de fazer alguma coisa. É preciso dizer às pessoas, em primeiro lugar, que vão continuar a ser os [habitantes] mais próximos da costa e que ninguém ficará à sua frente. E dizer às pessoas que, ao aceitarem isso, terão incentivos. Dificilmente conseguimos fazer uma mudança destas, de muitos anos, sem um pacote de incentivos, alguns financeiros.

segunda-feira, março 10, 2014

Cientistas identificam novos gases que destroem o ozono

Imagens da NASA que comparam o tamanho e a forma do buraco na camada de ozono em 1979 (à esquerda) e em 2009 NASA
  • Uma 
  •  1
equipa de investigadores científicos da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, identificou quatro novos gases que estão a contribuir para a redução da camada de ozono sobre a atmosfera. Mas a origem precisa destas substâncias é por enquanto um mistério.
Após a descoberta de um “buraco” no ozono sobre a Antárctida em 1985, os cientistas identificaram os clorofluorocarbonetos (CFC), usados em aerossóis, refrigerantes e solventes e na produção de espuma rígida de empacotamento, como os agentes responsáveis pela destruição daquela camada estratosférica que desempenha um papel fundamental para a vida na terra, ao absorver mais de 95 % da radiação ultravioleta proveniente do sol. Essa descoberta espoletou uma rápida resposta internacional com a aprovação, em 1987, do Protocolo de Montreal, um tratado assinado por 150 países que se comprometeram em eliminar a produção de gases prejudiciais ao ozono, no que é tido como a mais bem-sucedida legislação ambiental do mundo até hoje.
Até agora haviam sido identificados 13 tipos de clorofluorocarbonetos e hidroclorofluorocarbonetos (um substituto dos primeiros, usados em sistemas de refrigeração) que causam danos na camada de ozono e são regulamentados pelo Protocolo de Montreal. Mas os cientistas da Universidade de East Anglia identificaram outros quatro gases, que têm origem em actividades humanas, e segundo o Guardian, alertam para a existência de mais. “Não há dúvida de que há mais”, disse o investigador principal, Johannes Laube. Laube disse estar especialmente preocupado com o nível de concentração de dois desses novos gases na atmosfera, que, apesar de não ser ainda muito alto, está a acelerar.
Os cientistas descobriram os gases através da análise de amostras de ar captadas em diferentes localizações geográficas: bolhas de ar presas concentradas no interior de camadas de gelo polar trazidas da Gronelândia – que são um arquivo natural das substâncias que existem na atmosfera desde há 100 anos; amostras recolhidas na Tasmânia e na Europa. A análise mostrou que nenhum dos quatro gases – classificados como CFC-112, CFC-112a, CFC-113a e HCFC-133a – existia na atmosfera até à década de 1960, o que sugere que eles têm origem em actividades humanas. Os investigadores desconhecem a sua fonte de emissão. Laube acredita que um deles possa ser uma variante de CFC usada na produção de pesticidas agrícolas e que um outro seja usado em solventes de limpeza de componentes electrónicas. Mas, em declarações aoGuardian, o cientista não descartou a possibilidade de serem de origem ilegal, isto é, não estarem a cumprir o Protocolo de Montreal.   
O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, “mostra que a destruição da camada de ozono não faz parte do passado”, disse Piers Forster, um professor da Universidade de Leeds especializado em alterações climáticas que não teve qualquer envolvimento com a pesquisa.  “Este estudo lembra-nos que devemos permanecer vigilantes e monitorizar continuamente a atmosfera com vista a detectar estes gases, mesmo que em quantidades pequenas.”
O “buraco” na camada de ozono sobre a Antárctida era em 2013 o mais pequeno dos últimos dez anos, de acordo com imagens-satélite da NASA: 21 milhões de quilómetros quadrados de amplitude (o pico, 29,9 milhões, que corresponde sensivelmente a uma área do tamanho do continente africano, foi registado em 2000). Os CFC permanecem na atmosfera durante muito tempo, mesmo depois deixarem de ser emitidos. Cientistas da NASA estimam que o buraco feche em 2070

domingo, março 09, 2014

Vale mais tarde, que nunca!

Finalmente foram tapados os buracos em algumas estradas de Cabril!
Falta apenas, agora, fazer o mesmo nas estradas desde Vila Maior a Vitoreira e ao Lodeiro.


segunda-feira, março 03, 2014

Água de consumo em Vitoreira

Hoje apareceram por cá, em Vitoreira, os senhores funcionários da Câmara de Castro Daire (cantoneiros) supra-sumo em tratamento de águas de consumo humano e despejaram dezenas de litros no depósito que abastece a aldeia.
A água já tresanda a lixívia!
Amanhã será o dia de aparecerem os mesmos cantoneiros para recolherem as amostras para análise, que supostamente seriam recolhidas por um laboratório acreditado...
No dia seguinte começarão a aparecer vermes, anfíbios etc mortos nas torneiras de casa!
Passados dias se a analise for negativa, cá aparecerão de novo para repetir a recolha e respectiva análise até que tudo pareça
óptimo!